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A morte do motor de combustão interna - The Economist

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Os carros movidos a motores de combustão interna mudaram o mundo ao longo do século XX, mas seus dias estão contados, pois o avanço da tecnologia de baterias favores sua substituição por carros com motores elétricos.


Os carros elétricos não são uma novidade. Já existiam protótipos no século XIX, mas sua autonomia era muito limitada e precisavam de estações de substituição a cada 30km. Os modelos elétricos de hoje em dia, alimentados por baterias de íon-lítio são muito superiores. O VW e-Golf 2018 tem uma autonomia de 300 km. O Chevrolet Bolt cheta a 383 km. Entusiastas dos modelos Tesla já conseguiram andar com um Modelo S por mais de 1.000 km com uma única carga.


O banco suíço UBS calcula que o "custo total de propriedade" de um carro elétrico será o mesmo que o de um carro a gasolina já a partir de 2018, e prevê que veículos elétricos irão compor 14% das vendas totais de carros em 2025 (1% hoje). As baterias estão ficando cada vez melhores e mais baratas.

O custo de bateria por quilowatt-hora caiu de US $ 1.000 em 2010 para US $ 130-200 hoje em dia. As exigências ambientais também estão ficando mais rigorosas. No mês passado, a Grã-Bretanha se juntou a uma extensa lista de países que só permitirão carros elétricos, apontando que todos os carros vendidos em seu território em 2050 deverão ser de emissão zero.

Entretanto, a mudança de carros a gasolina para elétricos não vai demorar tanto. Os primeiros sinais do fim do motor de combustão interna estão reverberando em todo o mundo já e muitas das consequências serão bem vindas.


Para avaliar o que vem pela frente, é importante apontar a forma como o motor de combustão interna que moldou a vida moderna. O mundo rico foi reconstruída para automóveis, com grandes investimentos em redes de estradas e a invenção dos subúrbios, junto com shopping centers e restaurantes drive-through. Cerca de 85% dos trabalhadores americanos vão ao trabalho de carro.

A indústria automobilística foi um gerador de desenvolvimento econômico e a expansão da classe média, na América do pós-guerra e em outros lugares. Existem hoje cerca de 1 bilhão carros nas ruas, quase todos movidos a combustíveis fósseis. Embora a maioria deles fiquem ociosos, os motores dos automóveis e camiões dos EUA pode produzir dez vezes mais energia que suas usinas. O motor de combustão interna é o motor mais poderoso na história.

Mas a eletrificação está produzindo um tumulto na indústria automotiva. Seus melhores marcas são fundamentadas em sua excelência, especialmente na Alemanha. Comparado com os veículos atuais, os carros elétricos são muito mais simples e têm menos peças; eles são mais como computadores sobre rodas. Isso significa que eles precisam de menos pessoas para montá-los e menos sistemas auxiliares de fornecedores especializados. Fabricantes que não fazem carros elétricos estão preocupados em o que eles farão nesse novo cenário.

Com menos componentes para dar problemas, o mercado de manutenção e peças de reposição vai encolher. Enquanto os fabricantes de automóveis de hoje lidam com seu legado de fábricas antigas e forças de trabalho superdimensionadas, as novas entrantes no segmento, como a Tesla, são livres dessa herança. Marcas premium podem ser capazes de se manter pelo design e dirigibilidade, mas mas as marcas de baixo custo e alto volume terão que competir principalmente em preço.

Assumindo, claro, que as pessoas ainda querem possuir seus próprios carros. A propulsão elétrica, junto com a tecnologia de condução autônoma, podem transformar transporte de um bem em um serviço, por meio de frotas de carros compartilhados que oferecem mobilidade sob demanda.

Nas estimativas mais extremos, a indústria que poderia diminuir em até 90%. Lotes de carros elétricos compartilhados, com condução autônoma permitiriam às cidades trocar as áreas de estacionamento (que correspondem a 24% da área total das cidades, em alguns lugares), por novas habitações, permitindo as pessoas trocar suas casas distantes por outras em áreas centrais. Seria o inverso da suburbanização.

Os veículos elétricos de auto-condução irão oferecer enormes benefícios ambientais e de saúde. Carregar baterias de carros em centrais de estações de energia é mais eficiente que a queima combustível em motores separados. Os carros elétricos reduzirão as emissões de carbono em 54% se comparados aos movidos a gasolina, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente dos EUA.

Esse número irá aumentar à medida que mais eficiente carros elétricos se tornem. A poluição do ar vai cair também. A Organização Mundial de Saúde diz que o ar poluído é o maior risco para a saúde do meio ambiente. A poluição do ar contribuiu para 3,7 milhões de mortes por ano. Um estudo descobriu que as emissões de carros matam 53.000 americanos por ano, enquanto 34.000 morrem em acidentes de trânsito, segundo a OMS.

Carros e autocracias

E ainda há o petróleo. Cerca de dois terços do consumo de petróleo nos Estados Unidos é nas estradas. A indústria do petróleo é dividida sobre quando espera que a demanda atinja um pico; Royal Dutch Shell diz que poderia ser daqui a pouco mais de uma década. A perspectiva vai pesar sobre os preços muito antes disso. Porque ninguém quer deixar óleo inútil sob o solo, então haverá uma escassez de novos investimentos, especialmente em novas áreas de alto custo: como o Ártico. Por outro lado, grandes produtores podem ser incentivados a tirar o máximo possível de petróleo de seus solos enquanto ele ainda vale alguma coisa, o que colocará ainda mais pressão na baixa de preços.

Enquanto isso, uma corrida para o lítio está em curso. O preço do carbonato de lítio aumentou de US $ 4.000 por tonelada em 2011 para mais de US $ 14.000. A demanda por cobalto e terras raras, que são elementos para motores elétricos, também é crescente. O Lítio não é usado apenas para carros. Há sistemas em desenvolvimento que planejam armazenar em baterias gigantes energia quando há
folga de demanda e liberá-la nos picos de consumo. Isso pode fazer do Chile a nova Arábia Saudita? Não exatamente, porque as baterias dos carros elétricos podem ser reutilizadas em redes de energia, e, em seguida, recicladas.


O motor de combustão interna ainda pode terá um papel fundamental no segmento de transporte de carga e na aviação para as próximas décadas. Mas motores elétricos nos carros vão oferecer liberdade e conveniência de forma mais barata e limpa. Como a mudança para carros elétricos, inverte-se a tendência de redução de consumo de energia elétrica no mundo rico, e isso vai demandar políticas para assegurar capacidade suficiente de geração.

Além disso, o encolhimento das fábricas deve produzir desemprego transitório, o que sempre causa distúrbios sociais.



Os carros elétricos e de condução autônoma irão melhorar o mundo de maneira profunda e inesperada, assim como os carros de combustão interna o fizeram no século XX. Mas será um caminho esburacado e desafiador.

Fonte: The Economist

37 comentários:

  1. Ótima notícia....pro Paraguai, que tem energia elétrica sobrando.

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    1. Nem tanto, o Brasil sempre comprou o excedente paraguaio produzido em Itaipu.

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    2. Sim o Brasil compra 50% da energia Paraguaia, mesmo assim eles ainda exportam energia para a Argentina e Uruguai. Tornando-se o maior exportador de energia elétrica do mundo. Realmente está sobrando.

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  2. Já tô guardando dinheiro pra comprar um Golf GTi atual. Imagina só o GTe substituindo o GTi daqui a uns anos. Ronco do motor será só pelos alto falantes!

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    1. parte do ronco no GTI atual já e pelos falantes.

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    2. Sim.. mas no GTe será total.

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    3. O Golf-GTE é híbrido (tem ambos os motores), o Golf-E é que é puramente elétrico.

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    4. O E-Golf é bem provável que será aposentado com a chegada do golf mk8,mas acredito que ficará no mercado até a chegada do ID.

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  3. Muito interessante a matéria e o video do SEDRIC.
    A discussão é energia pra tudo isso, há debates sobre esta reviravolta quando do anuncio da Inglaterra e França banindo automóveis a partir de 2040 (ou 50?). Não haverá energia e grid para os automóveis. Talvez fique restrito o uso de carros elétricos (autônomos ou não) aos centros urbanos das grandes cidades, levando os híbridos (com motores Otto de 1 litro ou menos) a serem os mais procurados para quem vive no subúrbio e zona rural. A opinião de alguns é que não haverá energia disponível para recarregar baterias dos carros em casa na garagem, há propostas de postos de troca de baterias, carregada por exaurida. Com isso volto a acreditar que os motores a combustão terão vida longa através dos carros híbridos plug in que dividirão o mercado 60/30/10 com os 100% elétricos e alguns poucos totalmente a combustão.

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    1. Também acho isso, pra mim o híbrido é a melhor solução. Além do mais, essa retirada de matéria prima do solo pra produzir baterias e outros componentes não é nada sustentável. São poucos lugares no mundo que possuem esses minérios e acaba com a natureza a sua volta. É imagina milhões de carros na tomada. Não sei não. A mídia também está muito puxa saco . Ainda gosto muito do motor a combustão. Espero que cheguem a um consenso.

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    2. Não analisem a visibilidade dos veículos elétricos considerando que a nova demanda será atendida exclusivamente pela energia da rede de distribuição, gerada em grandes usinas. Ocorre que, paralelamente à ascensão dos carros elétricos, já há muito investimento em pesquisa e inovação para o desenvolvimento de novas tecnologias de geração, principalmente solar, que permitirão uma colheita descentralizada de energia, ou seja, cada residência/prédio poderá gerar energia suficiente para atender suas demandas, incluindo possivelmente o carregamento de baterias dos carros. A própria Tesla atua no ramo de geração solar e muitas empresas em todo o mundo estão bancando pesquisas em universidades de ponta para surfarem nesse mercado, que apresenta um potencial de crescimento gigantesco. Isso sem falar nas start-ups criadas a partir de descobertas feitas em laboratórios. Eu, particularmente, acho que os atuais gargalos econômico-tecnológicos para popularização dos carros elétricos serão superados em cerca de 10 anos.

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    3. Interessante, residencias e condomínios produzindo sua própria energia solar ou mesmo eólica, o "combustível" para o carro sairá de graça, talvez uma taxa de produção de energia e "uso" do Sol (o DF precisa de grana). Taí uma solução realista para os carros elétricos tornarem-se viáveis. Obrigado OR.

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    4. Eddie, ótimo comentário...com certeza nosso governo vai achar uma forma de taxar o uso do sol e do vento...

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  4. Um amigo meu que mora nos Estados-Unidos me disse que 100% elétrico não é bem aceito não, Motivos:
    *Desvalorização extramente absurda. Muito maior que um carro a combustão
    *Preço de uma futura troca de bateria. Se a bateria estragar, pode jogar o carro no lixo.
    *Seguro muito caro, quase o dobro do carro a combustão.
    *Sim, a bateria depois de 6 meses não tem a mesma autonomia.
    *Manutenção do elétrico é muito específica e mais onerosa que do carro a combustão.

    E segundo ele só compra Tesla quem é muito rico.
    No final disso, se colocar na ponta do lápis coisa que americano sempre faz chega ao denominador comum que o que economiza com combustível perde em todas as outras vias

    Isso procede ?

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    1. Filhao e qd o petroleo acabar? Tem q se pensar no agora

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    2. Thiago. Ainda tem muito oleo pra queimar. Vai se chegar a um equilíbrio solar eolica marés hidrica e fosseis.

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    3. Meu amigo vai acabar , seu pensamento he de parasita e egoista , o eng, cientistas estao certos , fazer agora e nao contar com algo que polui e nao se renova.

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    4. Não...só realista...a 50 USD o barril ainda é negocio explorar. Com novas técnicas de hoje poços que eram considerados exauridos voltaram a produzir. Óleo vai continuar por mais 100 anos.

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    5. Carros elétricos são bem menos manjados pra roubo que os a combustão,obviamente o seguro é mais barato

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    6. *Desvalorização extramente absurda. Muito maior que um carro a combustão
      -Nos EUA isso ocorre por quê lá a gasolina é barata,a bateria dos carros elétricos ainda é muito cara além de poucos elétricos terem baterias que permitam viagens.
      *Preço de uma futura troca de bateria. Se a bateria estragar, pode jogar o carro no lixo.
      -Uma Bateria geralmente é metade do valor do carro e a Renaul já pensa em tecnologias que permitam o reaproveitamento dessas baterias
      *Sim, a bateria depois de 6 meses não tem a mesma autonomia.
      -Não sei de onde vc tirou isso
      *Manutenção do elétrico é muito específica e mais onerosa que do carro a combustão.
      -Motor elétrico tem bem menos peças móveis que um motor a combustão,óbviamente é bem mais barato de manter.
      E segundo ele só compra Tesla quem é muito rico.
      -Os Tesla ainda são caros,mas o Model S é mais em conta que seus rivais Alemães como Audi A8,BMW Série 7 e MB Classe S,e o Tesla 3 tem preço na faixa do BMW Série 3.

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  5. ah sei la viu, ainda tem muita agua pra rolar debaixo da ponte.

    ate 2040,2050... acha que vao extinguir carros que vao ser raros ate la, 918, LaFerrari e etc.

    Acho que carro a combustao deva existir, mas vai ser caro de se comprar e de se manter e com imposto alto.
    Resumindo, vai ser pros milionarios.
    Entao quer dizer que a Formula 1 vai acabar, Stock car, Nascar, F Truck etc.
    Pq nao eh justo tirar um carro a gasolina de um cidadao, mas o cara ganha dinheiro pra ir la correr dai pode?
    entao ha muita coisa em jogo, por isso ainda acho que extinguir nao vao conseguir em tao pouco tempo, mas que podem encarecer tudo em relacao a carros a combustao isso pode e tenho certeza que vai acontecer.

    e os tratores de lavoura? maquinas agricolas? Geradores de industria...

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  6. a geração barba de lenhador e coque na cabeça jamais saberá o que é o ronco de um v8. só lamento. por eles.

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    1. E a sua "fonte" lá na vw que garantia que o polo 1.0 tsi não teria automático?
      Que barrigada heim? Não só terá automático como será SÓ automatico.

      Troca de fonte...kkkk

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  7. Faz 30 anos que falam de carro elétrico... e até agora nada de substituir....

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    1. Naqueles tempos se haviam incentivos eram poucos e os carros elétricos eram Marcos,caros e baixa autonomia

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    2. Há 30 anos não tinha Tesla Model 3, Nissan Leaf, GM Bolt, VW Golf GTe, BMW i3, sem falar em uma cassetada de híbridos que não vou lembrar agora. A tendência dos próximos 30 anos é a participação de mercado dos elétricos aumentar exponencialmente. Substituir totalmente não vão, pois toda tecnologia tem algum nicho cativo. Além disso o motor a combustão também está em constante evolução e sempre terá algum papel a cumprir (determinados veículos militares, por exemplo).

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  8. Só vou achar estranho acelerar e não fazer barulho do motor à combustão. Mas isso é irreversível com o fim do petróleo. Tesla neles, montadora q mais cresce no mundo. A fila de espera de seu último lançamento é enorme. Meu sonho é ter um carro autônomo deles, mas por aqui o mais baratinho deve chegar por 300mil.

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    1. Outro dia num shopping estacionei meu Golfao ao lado de um BM i30 eletrico. O dono um advogado tiozao mostrou me o carro. Show. Gasta 100 reais mensais em energia enquanto eu gasto 400 em gasolina. Seguro custa 16k anual. O carro é internamente todo em materiais oriundos de reciclagem. O cara arrancou o i30 e não deixou rastros nem barulho fez. Fiquei boquiaberto. Maravilha.

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    2. Advogado? Com um carro desses , nunca...casa esqyina tem um curso de direito pai

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    3. Filho...tem advogado tiozao que já ganhou ou tirou muito dinheiro na vida.

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    4. Corrigindo...BMW i3....i30 é o coreano.

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    5. Pra advogado não existe crise econômica.

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  9. Nada disso me preocupa , já estarei morto mesmo.

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  10. Quanto mimimi em 2050 ja estarei idoso msm hahaha viva a combustão e dane-se os híbridos e elétricos

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    1. bom que idoso o busao pra vc vai ficar de graça e com assento reservado...
      hoje em dia... vai de VT né...... kkkkkkk

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