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Volkswagen terá novo CEO na sexta-feira: nomes prováveis

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O escândalo das emissões em motores diesel da Volkswagen nos EUA resultou na renúncia do presidente mundial do Grupo, Prof. Dr. Martin Winterkorn. O Comitê Executivo que governa o conglomerado alemão indicou que na reunião da próxima sexta-feira (25/09) será indicado seu novo executivo-chefe. Este artigo trata da processo decisório de escolha, e os prováveis indicados.


Quem vai escolher o novo CEO da Volkswagen?

A Volkswagen AG é dirigida por um Board Supervisor (Aufsichsrat), de 20 membros, que supervisiona as atividades do Board de Gerenciamento (Vorstand), composto de 10 membros. A legislação alemã exige que metade dos membros do Aufsichsrat, que é a estrutura que escolherá o CEO, seja composta de representantes dos trabalhadores. Isso significa que, se fosse no Brasil, 50% do conselho supervisor da Volkswagen deveria ser ocupada por indicados da CUT - Central Única dos Trabalhadores.

Dessa forma, o poderoso sindicado alemão IG Metall controla 10 dos 20 assentos do Aufsichsrat da VW, porém sem direito a voto. A composição dos outros 10 assentos do Aufsichsrat é determinada pela estrutura acionária, que é a seguinte: Porsche SE: 31.5%, Qatar Holding: 15.4%, Estado da Baixa Saxônia: 12.4%, Outros; 41.3%.

Ocorre que as ações da VW não são todas iguais, pois algumas são preferenciais de voto. Assim, a propriedade de ações preferenciais e também a legislação local garante ao Estado da Baixa Saxônia (Niedersachsen) 20% dos votos. A estrutura de votação da VW é diferente da estrutura acionária, e fica da seguinte forma: Porsche SE: 50.7%, Qatar Holding: 17.0%, Estado da Baixa Saxônia: 20.0%, outros: 12.3%.

Isso deixa claro que quem tem o efetivo controle do Grupo Volkswagen é a família Porsche. Não é surpresa que 5 dos 10 membros do Aufsichsrat são "Porsche" por linhagem. O Qatar controla 2 assentos e o Estado da Baixa Saxônia tem 1 representante. Esse é o grupo que escolherá o novo CEO da VW. Dessa forma, os interesses combinados do sindicato IG Metall e do Estado da Baixa Saxônia determinam que um executivo que busque redução de custos está fora de cogitação, pois há uma prioridade por manutenção de empregos. Mas não só isso. A Volkswagen vem sendo dirigida primariamente com foco em crescimento, e, de forma secundária, buscando lucratividade.

Prováveis indicados

Agora que já conhecemos quem vai escolher, vamos passar aos nomes que estão sendo cogitados na imprensa automotiva mundial. Todos são executivos altamente qualificados e com longa experiência como líderes de grandes corporações. O novo cargo, porém, é bastante desafiador: controlar um conglomerado que fabrica 10 milhões de veículos por ano e emprega cerca de 600.000 pessoas.

É importante ressaltar que os nomes que relacionamos abaixo são os "mais prováveis", e nada impede que o Aufsichsrat escolha um outro executivo não relacionado abaixo na sexta-feira. 

Matthias Mueller

Trata-se do atual presidente da divisão de carros esportivos do Grupo VW, a Porsche. Sob sua gestão a Porsche vem batendo recordes de crescimento, e fatura perto de 3 bilhões de Euros por anos. Melhor ainda: suas vendas de modelos com motor diesel são pouco representativas, e nenhum de seus veículos usa o motor EA 189 2.0 TDI, que conta com o software que contorna os testes de emissão dos EUA.

Matthias Mueller

O problema para Mueller é que ele é muito próximo de Winterkorn. E se o conselho pretende emitir um sinal de credibilidade aos mercados, público e empregados, um executivo ligado a Winterkorn não é a melhor opção.

Herbert Diess

Trata-se do atual presidente da marca núcleo Volkswagen, e está sendo apontado como a escolha mais lógica. Primeiro porque ele já foi o CEO da Volkswagen, e, melhor ainda, ele não pode ser associado com o Dieselgate pois até dezembro de 2014 ele era o executivo chefe da BMW, e só assumiu a VW em Julho.

Herbert Diess

Historicamente, os executivos oriundos de marcas concorrentes tem sido rejeitados como CEO da Grupo VW, mas, no momento atual, o fato de ser um "estrangeiro" no conglomerado, e, portanto, sem conexões com estruturas internas que podem ser responsabilizadas, é uma vantagem competitiva para ser escolhido como o líder da maior empresa automotiva do planeta.

Rupert Stadler

Stadler tem 52 anos e é o CEO da Audi desde 1 de janeiro de 2010, e foi também o CFO (Diretor Financeiro) da empresa entre janeiro de 2007 e janeiro de 2010.


O que pesa contra Rupert Stadler é o mesmo problema de Matthias Mueller: proximidade com Winterkorn e o fato de estar em posto de comando na empresa durante todo o período em que os motores 2.0 TDI adotaram o software que engana os testes de emissão.

Hans Dieter Pötsch

Pötsch tem 64 anos e é o atual CFO (Diretor Financeiro) do Grupo Volkswagen, e, em setembro foi nomeado o Chairman do Aufsichsrat, sucedendo Ferdinand Piëch.

Hans Dieter Pötsch

Como Chairman do Aufsichsrat, ele pode ser considerado um candidato natural a CEO.

Dr. Ferdinand Piëch

Trata-se de um executivo que já foi o CEO do Grupo Volkswagen de 1993 a 2002, e, de 2002 a 2015, assumiu como Board Chairman. Em Abril deste ano foi derrotado por Winterkorn em uma disputa de poder e teve que se retirar. Entretanto, o Dr. Piëch ainda tem muita influencia por ser membro do Conselho da Porsche, que é a principal acionista do Grupo VW. Ele é neto do legendário Ferdinand Porsche, o homem responsável pelo desenvolvimento do "carro do povo" e da indústria automotiva alemã.

Dr. Ferdinand Piëch

Piëch tem 78 anos, não fala Inglês (ou pelo menos escolhe não falar Inglês em público), e tem um histórico de desentendimentos com muitos ex-executivos do Grupo. É um homem muito poderoso, e tem estreito relacionamento com o sindicato dos trabalhadores e com o governo alemão.

Ou seja, se ele quiser o cargo, terá. Mas talvez ele não queira, e prefira manter sua influência na corporação como membro da família Porsche.

Conclusão

O Grupo Volkswagen tem uma importante decisão na sexta-feira, que é a de escolher o nome do novo presidente mundial - executivo que terá que gerenciar a crise de confiança que se abateu sobre a empresa, reconquistar a confiança dos mercados e da opinião pública, e manter-se como maior grupó automotivo do planeta.

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16 comentários:

  1. Parabéns ao blog pelo grande conhecimento no grupo VW. Vamos acompanhar o desenrolar dos fatos.

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    1. foi explicado muito bem... quando cursava administração fiz um trabalho sobre as manobras que a família Porsche faz com a VW na bolsa de Frankfurt, desde esse trabalha sempre acompanho essw jogo de ações do Grupo, pra que conhece do assunto é muito interessante... esses caras, os Porsche, além de ter uma linhagem de engenheiros e designers, são grandes administradores, quando essa poeira abaixar podem esperar uma manobra para a compra da VW pela Porsche SE, só vai ficar as ações do Estado da Saxônia que é protegida por lei!

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  2. Muito bom o texto, parabéns.
    Outro mundo, que fica além da nossa imaginação.
    Tudo pelo Poder e para o Poder, fantástico!
    Afinal, mexe com a vida de, calculo em 50 milhões de pessoas pelo mundo, incluindo fornecedores, prestadores de serviço, etc e seus familiares.

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  3. A VW precisa escolher rápido esse executivo. E eu torço pelo cara da Porsche, porque ele é o cara que conhece o mercado americano a fundo. As vendas da Porsche crescem a taxas
    exponenciais nos EUA. Então espero que seja ele.

    Depois, alguns fatos: carros a diesel respondem por 25% das vendas da VW nos EUA. É importante, mas não é tudo.

    Segundo, os motores que estão agora no Passat não tem esse motor. E a solução para os demais é simples.

    Terceiro. Estão falando em 18 bi de multas e processo criminal. IDIOTICE em ambos os casos. O Lobby das empresas automotivas no congresso americano jamais deixou que violações ao EPA fossem tidas como criminais. Não são criminais. Então não tem processo criminal algum.
    Segundo, já houve dezenas de escândalos automotivos nos EUA, muitos parecidos com esse da VW, e jamais teve condenação criminal, bem mesmo de executivos. Não tem previsão legal.
    Sobre as multas, a previsão de multas da GM (que já admitiu mais de 100 mortes) e da Toyota (que mentiu sobre o acelerador do Prius) era maior que isso,e as multas não passaram de 1 bi.
    E, mesmo com o software ativo, o motor 2.0 TDI da VW ainda é infinitamente superior aos demais, ou seja, um recall e continua competitivo, e sem concorrentes.

    Em resumo: VW vai continuar a liderar o segmento de carros diesel nos EUA.

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    1. Faço as minhas palavras de Flávio Gomes:

      SÃO PAULO (não é possível…) – O que a Volkswagen fez é a maior cagada da história da indústria automobilística mundial. As ações da empresa estão derretendo. Fico me perguntando por que uma montadora desse tamanho se arrisca a ser pega no pulo em algo tão estúpido — emissão de poluentes, algo que se controla fácil, com tanta tecnologia à disposição. Um software foi desenvolvido especialmente para enganar aparelhos usados nas inspeções dos motores a diesel. É inacreditável. Alguém fez isso sabendo muito bem o que estava fazendo. Em nome do quê? Para economizar quanto? Sob ordens de quem? E quem garante que isso não foi feito com outros motores? E a Audi? E a Porsche?

      As consequências serão pesadíssimas. E esqueçam a F-1 por enquanto. Não vai ter grana. Não tem cabimento. Serão anos para limpar a barra, o nome, a reputação. Serão anos para recuperar as fortunas que irão para o ralo na forma de multas e recall.

      Meus Fuscas estão com vergonha. Os Passats, a Variant, o TL, o Karmann-Ghia, a Kombi e os Gols também.

      http://flaviogomes.grandepremio.uol.com.br/2015/09/a-maior-da-historia/

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    2. também acho Müller a melhor opção, o cara tem uma linda história dentro do grupo e o escândalo não checa na Porsche, pode atrair novamente os investidores!

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  4. Geralmente as ações que dão direito a voto são as ordinárias e não as preferenciais. As preferenciais dão prioridade na distribuição de dividendos, JCP, etc.

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  5. Tomara q seja esse cara da Porsche, quem sabe ele não incentive a VW a voltar a oferecer um esportivo pros brazucas.

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    1. jornais alemães já apontam no final do dia de hoje o nome de Müller como novo CEO, parece que não sofrerá muita oposição no conselho... e ações do Grupo voltaram s subir hoje nas bolsas e o índice dax também teve um leve aumento!

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  6. http://carros.uol.com.br/noticias/reuters/2015/09/24/motores-da-bmw-tambem-excedem-limites-de-emissao-diz-revista.htm

    KKKKKKKKKKKK
    Agora vai aparecer um monte........

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    1. vai ter um monte de casos como esse, me diz como aqueles v8ão diesel da Ford nas F passaram fácil na inspeção por quê?

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  7. Parabens ao Car Blog pelo texto, o melhor blog de VW do país!

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  8. Nem a "imprensa especializada" tradicional fez um texto tão abrangente sobre a briga de poder da VW. Car.blog.br de parabéns. Mais uma prova da clara decadência dos jornalões impressos.

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