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GM Monza 1995: consumo de gasolina com 27% de etanol

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Quando o governo brasileiro anunciou, em fevereiro, o aumento do percentual de 27% de etanol na gasolina, a ANFAVEA - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores - recomendou que os carros "não flex" deveriam usar gasolina Premium, até que os testes com tais veículos fosse concluídos. Entretanto, pouco ou nada se falou sobre os veículos "não flex" mais antigos, fabricados até 2004, antes, portanto, do advento da tecnologia dos motores flexíveis.


Tendo em vista a ausência de informação oficial por parte da ANFAVEA e fabricantes sobre como proceder com carro mais antigos relativamente à gasolina com 27% de etanol, o leitor André G. nos escreveu um relato detalhado com base em sua experiência com gasolina de 27% de etanol com dois modelos movidos à gasolina "pré-2004": um Monza 1995 e um Ford Ka 2000, o reproduzimos a seguir.

"Eu sou proprietário de um GM Monza ano 1995, movido a gasolina, sou o quarto dono deste carro e o mesmo encontra-se em condição impecável de uso e manutenção, e minha esposa é proprietária de um Ford KA, ano 2000, movido a gasolina. Ambos os carros são completos com direção hidráulica e ar condicionado.

Quando o governo anunciou a mudança no percentual de etanol adicionado na gasolina e a Anfavea recomendou que proprietários de carro a gasolina se utilizassem da cara gasolina podium, eu já pensei: "lá vem bomba pra nós!".

Comportamento do Monza 95 com gasolina com 27% de etanol

Dito e feito! Ao abastecer com essa "gasoalcol", meu Monza sofre para andar [com o motor] frio, [apresentando]  engasgos e tudo mais. Quando você acelera o carro, ele demora para embalar e até dá umas engasgadas. O cúmulo foi um belo dia que, ao ligar o ar condicionado com o carro em marcha lenta, o carro morria no trânsito.

[Tendo em vista tal comportamento] questionei se a manutenção do carro estava totalmente em ordem. Só abasteço no mesmo posto há anos e nunca tive problema - a qualidade e procedência do combustível é garantida, e inclusive conheço o gerente do posto. No fim, cheguei a conclusão que [os problemas com o meu carro] só pode ser [decorrentes] dessa mistura [de 27% de etanol na gasolina].

Gasolina com 30% de etanol

Ao fazer o teste da quantidade de etanol na gasolina, em casa, constatei 30%, um absurdo! Os caras querem transformar meu carro a gasolina em flex. Mas como resolver meu problema?

Obtendo gasolina pura (sem etanol)

A gasolina é um composto químico apolar, e o álcool e um composto polar. A água é também um composto polar. Compostos semelhantes se juntam, compostos opostos se separam, por isso quando fazemos o teste da proveta misturando água para saber a quantidade álcool presente no combustível, teremos na parte de cima só a gasolina e na parte de baixo água e álcool.

Esperei esvaziar o tanque do Monza quase completamente. E, por conta própria, comprei alguns galoes e fiz [em casa] essa separação (do etanol da gasolina) - desprezando o álcool com a água, e colocando no tanque do carro somente gasolina [pura] para um teste inicial.

Comportamento do Monza com gasolina pura (sem etanol)

Olha que diferença absurda! Sem engasgos de aceleração, retomadas de velocidade excelentes, nem uma falhazinha sequer mesmo com o carro totalmente frio, em teste realizado tanto no Monza quanto no Ford KA.

Consumo - carros modernos x carros antigos

[Eu tenho] ouvido muitos elogios com relação ao consumo de carros 1.0 com motor tri-cilindrico, como é o caso do VW UP!. [Relatam] que o carro faz 16 km/l dependendo do uso. Há proprietários que afirmam que fazem até 20 km/l - tudo isso graças à tecnologia, tecnologia esta que mascara essa porcaria de combustível que estão nos vendendo.

Um bom exemplo [dessa diferença] é uma propaganda de TV veiculada pela própria VW no ano de 1974 (vídeo abaixo) sobre o Passat, na qual afirma que ele faz 12 Km/l - um número bom para um Passat 1.5 com motor de tecnologia ultrapassada.



E o consumo do Monza com gasolina pura, como fica?

Tendo em vista que eu já estou levando um prejuízo de 30% jogando o etanol fora, fica a pergunta: "a gasolina pura renderia quanto a mais?" Em outras palavras: qual seria o meu real prejuízo?

A principio posso afirmar que com um combustível mais puro as manutenções mecânicas a médio e longo prazo tendem a ser menores, isso é fato pois o álcool é mais corrosivo.

Meus testes, com relação a questão da menor manutenção, desempenho do motor já me respondem que vale a pena. E, sobre o consumo, fiz os dois testes a seguir.

Teste 1 - Monza com gasolina pura x Monza com gasolina com 27%

Viagem de ida, com Monza, de Santo André até Olímpia com gasolina pura.

Quilômetros percorridos: 490 Km / Litros gastos: 32,2 litros. Consumo (gasolina pura): 15,21 Km/l

Viagem de volta de Olímpia a Santo André (com gasolina com 27% de etanol), com 1 parada no museu da aviação em São Carlos.

Quilômetros percorridos: 576 Km / Litros Gastos 45 litros. Consumo (gasolina com 27% de etanol): 12,8 Km/l

Ou seja, usando gasolina "pura", o Monza ficou 18,9% mais econômico. Uma diferença de 2,24 Km/l a mais.

Observações sobre o teste:
  • Sem preocupação com consumo, mantendo a velocidade limite da estrada o tempo todo 120 Km/h, 110 Km/h, 100 Km/h conforme a rodovia;
  • O carro não possui computador de bordo o calculo foi feito completando-se o tanque e calculando litros x KM;
  • A viagem de ida não pegamos transito pois saímos as 2 horas da manhã;
  • A viagem de volta pegamos transito o retorno foi pelo rodoanel Mario Covas;
  • A diferença real que eu estimo descontando o fator transito da volta é em torno de 14% de rendimento a mais com a gasolina pura. Nesse caso o prejuízo de descartar o etanol seria por volta de 16%, mas amplamente compensado pelo excelente desempenho do carro na ida, na volta já percebi uma grande diferença.
Teste 2 - Ford Ka 1.0 em cidade com gasolina pura x gasolina com 27% de etanol

Não rodo muito na cidade, mas quando o faço utilizo o Ford Ka da minha esposa, pois o consumo é menor do que com o Monza, alem de ser um carro menor e mais fácil de encontrar vagas para estacionar.


O mesmo não possui computador de bordo, mas como sou um xereta de marca maior eu comprei uma interface ODB2 via Bluetooth que me fornece todas as informações e funciona como computador de bordo no meu celular pelo aplicativo Torque para Android.

Minha média de consumo com ele na cidade eu já sei, fica sempre em torno de 10 Km/l a 12 Km/l, mas 12 Km/l é um tanto difícil de alcançar.

Com o combustível puro, está entre 14 e 16 km/l (tive picos de 18 km/l), alem de que as rotações durante as acelerações estão subindo muito mais rápido - eu preciso acelerar menos.

A rotação em marcha lenta é menor, gira entre 840 e 920 RPM (com combustível com etanol fica em torno de 1000 a 1.110 RPM).

O ar condicionado faz o motor sofrer muito com a gasolina misturada [com etanol], e ele tem que ser desligado nas subidas, coisa que não acontece com a gasolina pura. (Minha opinião pessoal é que esse motor não foi projetado pra usar o ar condicionado em subida com esse "gasoalcool")."

Resumo do teste: com "gasolina pura", o Ka 1.0 fica em média 40% mais econômico.

Conclusão

Pelos testes do leitor André, o Monza 1995 e o Ka 2000 ficam mais econômicos com gasolina sem adição de etanol, além de apresentarem melhor desempenho. Entretanto, a melhora de consumo não compensa o etanol que é jogado fora ao ser retirado da gasolina vendida nos postos.

Além disso, o processo informado pelo leitor para se obter gasolina pura a partir da gasolina com 27% de etanol, além de trabalhoso, incorre em elevados riscos de acidentes, pois envolve a manipulação de líquidos altamente inflamáveis e com alto potencial explosivo.

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32 comentários:

  1. Na gasolina premium tivemos aumento do alcool tambem?

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    1. Se não estou enganado, a gasolina premium tem 25% de etanol, o que não fará tanta diferença.

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    2. A única gasolina com 25% de etanol é a podium, nenhuma outra.

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    3. Marcio Santos.
      Desculpe-me nas não é só a Podium não. Qualquer Premium manteve os 25% de álcool anidro na mistura, seja ela a Pódium da BR, a Premium da Ipiranga ou de outra marca que a tenha em seu portfólio.

      Eu só abasteço com Ipiranga, no mesmo posto há mais ou menos 20 anos e a Premium de lá, com certeza é com 25% de álcool anidro.

      "Portaria MAPA Nº 75 DE 05/03/2015
      Fixa, o percentual obrigatório de adição de etanol anidro combustível à gasolina.
      Resolve:

      Art. 1º Fixar, a partir da zero hora do dia 16 de março de 2015, o percentual obrigatório de adição de etanol anidro combustível à gasolina, nos seguintes percentuais:

      I - 27% na Gasolina Comum; e

      II - 25% na Gasolina Premium.

      Parágrafo único. As especificações de Gasolina Comum e Gasolina Premium são definidas conforme Regulamento Técnico da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)."

      um abraço,
      Marcelo Schwan

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  2. A minha Vespa PX200 não sentiu muita diferença em rendimento e consumo com o uso da gasolina com 27% de etanol em relação a gasolina com 25%. O consumo continua na casa dos 20km/l.
    É inegável a melhora do consumo nos carros citados na reportagem, mas creio que a longo prazo sofrerão com problemas de detonação e carbonização do motor.
    Nossos carros, mesmo os mais antigos, não foram feitos para uma gasolina pura.
    O etanol é um importante anti-detonante da gasolina.

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    1. Exatamente! Esses motores não foram calibrados para rodar com gasolina (E0). Aliás, nenhum motor que é fabricado aqui, não foi feito para rodar com E0, exceto o Siena tetrafuel.

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    2. Estes testes foram testes preliminares onde descrevi minhas impressões, ate concordo com vc que estes carros podem não ter sido projetados para andar com gasolina totalmente pura, mas também com certeza também não foram projetados pra andar com 1/3 de alcool (obs: estou me referindo aos carros exclusivamente a gasolina não aos flex), o governo deveria ter bom senso e deixar a mistura em uns 15% na minha opinião, eu andei nos EUA, com um Ford EDGE o carro tem um ótimo desempenho, lá o máximo permitido é 10%, por curiosidade fiz o teste lá pra saber a quantidade, cheguei em 6% de etanol na gasolina.
      Nos meus próximos testes vou colocar 1/2 tanque com gasolina pura e 1/2 com a gasolina normal misturada o que em teoria me dará uma porcentagem de etanol de 13,5% de etanol na gasolina, quantidade que eu acredito que o motor pode alcançar melhor desempenho e menor manutenção.

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  3. Poxa, seria bem interessse se esses testes fossem realizados em laboratório.

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    1. Concordo plenamente em laboratório teiamos testes com resultados 100% confiáveis, algum laboratório se habilita?

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  4. Gasolina vendida no Brasil é uma vergonha. De pior qualidade e preço alto. Porque será? E o tal do pre sal, não era pra ajudar? CORRUPTOS MERECEM O INFERNO.

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  5. Fiz 18,5 km/l com um Suzuki Swift 1.2 no chile, ar ligado e altitudes ate 2500m

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    1. Pela informção que eu tenho de todos os paises do Mercosul o Brasil é o unico que adiciona etanol na gasolina, os outros não adicionam e um detalhe a gasolina lá é muito mais barata que aqui.

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  6. 1º Etanol é o nome do combustível "álcool hidratado", aquele que estão nas bombas do postos de gasolina;
    2º o álcool utilizado na mistura da gasolina é o álcool anidro, que não é álcool hidratado, logo não é etanol, esse combustível que vem misturado na gasolina dos nossos postos;
    Tecnicamente o álcool anidro tem mínimo de 99,5% de pureza, já o hidratado tem entre 95,1 e 96% de pureza! sendo a diferença, água. Mas o que importa é que tirando a parte técnica, são considerados dois combustíveis diferentes e tem nomes diferentes, por isso que seu nome foi mudado nas bombas de "álcool" para etanol, para corrigir esse "erro" no nome.
    Falar que a gasolina tem 27% de etanol é um erro primário, comum mas não condizente com um fórum que tem o objetivo de informar e ensinar.

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    1. Etanol, segundo a IUPAC, por possuir dois carbonos em sua cadeia, C2H6O. Alcool é uma classe de compostos orgânicos

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    2. O termo "gasolina com etanol" é correto e é o usado pelo governo brasileiro, e pele Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool - CIMA, que em sua resolução nº 1, de 2015:

      http://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=281774

      Estabeleceu que:

      "Art. 1º Recomendar a fixação, a partir da zero hora do dia 16 de março de 2015, do percentual obrigatório de adição de etanol anidro combustível à gasolina, nos seguintes percentuais:

      I - 27% na Gasolina Comum; e

      II - 25% na Gasolina Premium."

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    3. Como eu falei acima, alcool é apenas uma classe de compostos orgânicos.Nela se enquadram o etanol, metanol, butanol e por ai vai...

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    4. Se o etanol misturado a gasolina não for anidro (sem água) o etanol não se fixaria na gasolina, ocorreria a separação. OBS o etanol e a água utilizados no processo de separação não podem ser reaproveitados porque a água causaria calço hidráulico danificando o motor.

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  7. Quem comprou o golf importado,tem dinheiro para o podium,ou seja, sem preocupações!

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    1. Lourenço, não acho que seja bem assim não hehe.

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    2. De acordo com a VW, nem o Golf alemão sofrerá com os 27%, mas isso é o que eles dizem, vai saber se na prática é real.

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    3. Gasolina Podium tá cara viu, aqui em Belo Horizonte eu estou pagando mais de R$4,20 no litro da Podium, estou gastando praticamente 100/120 reais por semana só com gasolina para o Golf.

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    4. Aqui em Salvador, no posto que eu abasteço a Podium ta R$3,89 e Grid R$3,49

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    5. Na minha cidade é 3,74 a gasolina comum.

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    6. Estou usando a porcaria líquida com 27% de álcool anidro, que nosso governo chama de gasolina, e não notei nenhuma diferença no Golf TSi alemão.

      Antes fazia de 9,5 a 10,5 km/l na cidade e continua a mesma coisa.

      Na estrada, continuo fazendo entre 15 e 16 km/l rodando entre 110 e 120 km/h com ar ligado e 4 adultos.

      Nem em desempenho e comportamento do carro senti diferença.

      Pra mim não mudou absolutamente nada até agora. (rodo em média de 1500 a 2000 km/mês).

      abraço,
      Marcelo Schwan

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  8. O engraçado que em agosto o novo golf 1.4 turbo vai ser flex será porque ?, a volks não é boba, golf turbo flex melhor que turbo a gasolina, ai quem comprou com a gasoalcool reclame pra Dilma, foi ela que mandou aumentar o álcool na gasosa, bela presidenta o brasil foi arrumar.

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    1. Exato, VW falou q não tem problema, e realmente não tem, nos primeiros 5-8 anos.
      Só depois disso que os efeitos corrosivos do etanol começam a aparecer...
      Tem vários estudos americanos que comprovam isso com E15, já que alguns políticos queriam aumentar de E10 para E15 a nível nacional e várias montadoras investiram em estudos e todos comprovaram como apenas 5% a mais de etanol danifica e muito o motor.
      Imagina E27-E30 que oq achamos nas bombas....

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    2. É isso mesmo. Essas consequências se notam no longo prazo, ou seja, mais uma vez somos passados para trás por nossos governantes.

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  9. Olá pessoal
    Tenho um Fiesta Rocam 2005 e a única diferença que notei foi o consumo que aumentou ,mas,creio que isso aconteceu mesmo com carros flex.
    Pode ser que eu tenha algum prejuizo a longo prazo como foi dito antes ,mas ,até então o carro não mudou em nada o comportamento !!!

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  10. Não achei no texto a indicação de qual modelo de Monza é o do leitor. Em 95 o Monza tinha dois sistemas: os EFI monoponto e a MPFI, multiponto. Não sei dizer se os Monza 95 usaram a MPFI Bosch Motronic M2.8.1, a mesma injeção multiponto dos Omega e Vectra A. O Kadett usou em 97 e 98 e eu tive um com essa injeção no motor 2.0.

    Se usou a multiponto do Omega, essa não deveria sofrer esses males que o leitor relatou.

    Quando a GM lançou o Omega com essa injeção, várias publicações testaram o veículo simplesmente enfiando 100% de álcool nela e o bicho aceitava e rodava sem problema algum. O Bob Sharp, entre outros, chegou a testar esse Omega 2.0 93 gasolina com álcool e confirmou isso. Algumas engasgadas no início, mas depois a injeção se ajustava e rodava normal.

    O primeiro Omega fabricado no Brasil, chassis 001, é um GLS 2.0 gasolina 92/93 que nos foi dado pela GM e foi inteiramente reformado para exibições nos encontros do Omega Clube. Esse carro rodou com os dois combustíveis.

    Quando tive oficina mecânica, de 2005 a 2009, vários clientes com essa injeção simplesmente trocavam a bomba de combustível e iam aumentando aos poucos a dosagem de álcool até atingir 100% de etanol e rodavam sem problema algum.

    Mas se o Monza do leitor for o EFI monoponto, ou a multiponto antiga, não sei dizer se o funcionamento seria o mesmo. Não cheguei a testar nessas.

    abraço,
    Marcelo Schwan

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